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Particípio
 
Outrora, eu já fui devassa.
E se hoje fui novamente, não se engane!
É tudo cova dessa mente:
inquieta, muda, morta.
Não quisesse outra esfera
A carne ainda geme
E os ossos já não pensam em cálcio.
 
Que farei de tudo isso?
Vício.
Que farei deste epigrama?
Arma.
Que farei de vício e de arma?
Nada.
 
Ou ainda se pensa que o simples não mente; e que é por acaso que pigarro rima com cigarro?
 
Particípio II
 
E se, alguma dia, minha vida inventar de ser uma rima?
Não quero. Mas posso.
A bola careca contou que rima é prisão.
 
[Será tão ilógico amor e dor?]
 
Não rio. Omito.
O mito da escrita tão livre que nem sentimento existe.
O mito. O medo. O caso.
 
Caio. E não levanto: prisão é não escrever com medo da pena.


¤ Postado por Isadora Machado às 10h54
¤
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Existe o ser, o não ser, e todas as carências do existir. Existe o que é, o que não é, e todas as incongruências do ser. Existe o estar, existe o não estar e não existe mais nada. E, além disso, existe todo o desejo circundante que envolve e, envoltos, não se apega. Se breca. Se cala. Se ladra. Se eu fosse. Ai, se eu sêsse...

Quando eu fecho os olhos é muitos melhor porque não vejo nada. Mas. É, mas, mesmo que não veja nada, sei que a luz está acesa quando a luz está acesa. Sei, não sei. Mas sei que sei. E, quando abro os faróis, elas realmente estão acesas - o que me prova que eu estava certo. E provar a mim que estou certo é extremamente frustrante, uma vez que não estamos preparados para estar certos. Estar é tardar.

Sei. Não, começo de novo. Penso. Não, pela última vez. Sinto que Apolíneo dentro de mim morreu e só existe em Nova Iorque, na Bossa Pessoa não. Sinto então que, enquanto em mim Apolíneo dorme, Dionísio vinha o vinho. E o vinho tem algo qualquer como o cigarro. Algo de se ser, ou de se estar, mundano e fino. Finjo. Mas não sei.

Enquanto Apolíneo dorme, meu Dionísio não faz barulho. Pois apesar do prazer que se sempre tem em se falar alto, é melhor perder esse prazer e não se perder o resto. Ou no resto. Perder-se no resto é muito pior. Uma vez no resto...enfim, só com gim você sabe.

Ou imagina que sabe.

O fato é que não existem fatos. E há algo qualquer no mim que perde para o sangue. Há algo qualquer no eu que peça para que Apolíneio durma em paz. Passar por tudo de novo? É, talvez seja a chance se Dionísio se regenerar. Apesar de eu não acreditar nisso, óvio. Mas no ópio eu creio, e sempre crerei. Mesmo que o sempre só dure o vento rompando a esquina como meus dedos flácidos rompem o papel.

Higiênico.

Sem frustrações, ou com quase todas ela que nem percebo, sei que cuidarei do sono de Apolíneo.

Que ele durma em paz em NI. E que nós possamos ficar acordados. Em silêncio.



¤ Postado por Isadora Machado às 01h09
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"Escrevo-te toda inteira e sinto um sabor em ser e o sabor-a-ti é abstrato como o instante. É também com o corpo todo que pinto os meus quadros e na tela fixo o incorpóreo, eu corpo a corpo comigo mesma. Não se compreende música: ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro. Quando vieres a me ler perguntarás  por que não me restrinjo à pintura e às minhas exposições, já que escrevo tosco e sem ordem. É que agora sinto necessidade de palavras — e é novo para mim o que escrevo porque minha verdadeira palavra foi até agora intocada. A palavra é a minha quarta dimensão." LISPECTOR, Clarice. Água Viva. p. 12

E eis que meus lábios tão ressequidos e ressentidos e novamente engolidos pelas horas do tempo voltam a se tocar pela ausência de velhas significações. O encontro do eu com o mim. Não há mais tempo. Nosso momento é o instante em que, no sonho, ele me entrega o bilhete amarelo: não se sinta só. Nosso tempo é quando.

Explosão.



¤ Postado por Isadora Machado às 14h38
¤
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É angústia. Mas, de fato, eu nem sei se é angústia mesmo. Talvez seja só sal-dade. Esse sal que vem aos olhos e ninguém que pense realmente saberá explicar porque. Pensei que talvez pudéssemos nos comunicar por aqui. Ora, eu sei exatamente como são as coisas: elas não são. Se eu tivesse sido menos...Mas menos o que? Se eu tivesse sido menos, não seria eu. E se não fosse eu, pra que salgar agora? Realmente não é angústia.

É saudade. Mas, de fato, eu nem sei se é saudade mesmo. Talvez seja só sal-dade. Talvez seja só a vontade do que poderia ter sido. Sabe quando um copo vai cair no chão? Então...ele cai. Mas, antes de encostar no chão pra quebrar, há um espaço. É desse espaço que eu falo. O poderia-ter-sido é exatamente esse espaço do copo antes d'ele cair no chão.

Eram as trocas. O fluxo. Eu prometo que não lembro mais de você. Basta que minha vida volte pelo menos sete anos. Sete é cabalístico. E se criássemos um código? Eu escrevo e você responde? Será que você sabe que eu estou escrevendo pra você?

Mortos não falam. Mortos só me matam. De saudade.

Ah, eu te peço perdão
Mas te quero lembrar
Como foi lindo
O que morreu

E essa beleza do amor
Que foi tão nossa
E me deixa tão só
Eu não quero perder
Eu não quero chorar
Eu não quero trair
Porque tu foste pra mim
Meu amor
Como um dia de sol - TJ



¤ Postado por Isadora Machado às 22h37
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Sim. O mundo continua na ponta dos pés tentando alcançar a última bolacha do pote que fica na última prateleira. E quando encosta a ponta dos dedos no pote, sente dores nos músculos dos pés. Pára. Volta. E pula.

E acha graça e desiste de comer bolacha.

Mas eu nunca canso de andar do lado do meio do trilho do trem.

E acabo cansando das outras coisas,



¤ Postado por Isadora Machado às 12h15
¤
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Acho que todo mundo deveria ler este texto. Talvez errássemos menos se acreditássemos mais.

Closer - Perto Demais: por que somos infelizes em amor?


"Concordo com Caetano Veloso, 'de perto ninguém é normal'. Mas Closer - Perto Demais, de Mike Nichols, me deixou pensando diferente: de perto, somos normais demais. O filme é uma demonstração tocante de nossas impotências e incompetências sentimentais. Se você quer saber por que, em regra, somos infelizes em amor, não perca.
Para não estragar o prazer de quem não viu o filme, nada de resumo, apenas as reflexões fragmentárias com as quais passei a noite, depois de ter assistido a Closer - Perto Demais.

1) Por que, no meio de uma história amorosa que funciona, um encontro (que sempre parece mágico) pode levar alguém a trocar a intimidade de um casal companheiro por uma visão? Os evolucionistas dizem que os homens são infiéis por necessidade biológica. Para que a espécie continue, os machos seriam programados com o desejo de fecundar todas as fêmeas possíveis. A teoria tem uma falha: as mulheres são tão infiéis quanto os homens (embora os homens se recusem a acreditar nessa banalidade). O senso comum tem outra explicação: a paixão iria se apagando com a repetição, os humanos gostariam de novidade. Pequeno problema: a idéia de que a novidade seja um valor é especificamente moderna; no entanto a inconstância em amor é um hábito antigo. Outro problema ainda maior: na condução de nossas vidas, somos obstinadamente repetitivos. Insistimos nas mesmas fantasias e nos mesmos sintomas. Contrariamente ao que diz o provérbio, errar é divino, perseverar é humano. Por que seria diferente em matéria amorosa? Como pode ser que um encontro, em que mal se sabe quem é o outro ou a outra, contenha uma promessa que basta para levar alguém a dar um chute num amor que dura? Tento responder: apaixonar-se é idealizar o outro, durar no amor é lidar com a realidade do amado ou da amada. Antes de ponderar os charmes da idealização, duas observações. Um impasse: para manter a paixão, devo continuar idealizando o parceiro. Mas, para idealizar o outro, devo mantê-lo a distância. Se mantenho o outro a distância, renuncio aos prazeres de amor, companheirismo, cumplicidade, convivência. Um paradoxo: se me separo porque me apaixono por outra ou outro, o parceiro que deixei se distancia de mim, portanto volto a idealizá-lo e a me apaixonar por ele.

2) Por que gostaríamos tanto de idealizar o outro que vislumbramos num novo encontro? Uma nova paixão amorosa é provavelmente o sentimento que mais pode nos transformar, para o bem ou para o mal. Por exemplo, se o outro me idealiza, carrego seu ideal como um casaco novo: modifico minha postura para que o pano caia bem no meu corpo. De uma certa forma, tento me parecer com o ideal que o outro ama em mim. Cada amor, quando começa, é uma aventura. Não porque encontro um novo parceiro, mas porque, ao me apaixonar, descubro ou invento um novo ideal e, ao ser amado, mudo para me aproximar do que o outro imagina que eu seja. A inconstância amorosa talvez seja a expressão imediata do desejo de mudar -não de trocar de parceiro, mas de se reinventar. Não é estranho que, na hora em que um amor começa, alguém decida se dar um novo nome. Nenhuma mentira nisso, apenas a convicção e a esperança de que a paixão nos transforme. Infelizmente, mudar é difícil: a sedução exercida pelos novos amores é uma veleidade, um pouco como as resoluções de que as coisas serão diferentes no ano que começa.

3) Dizem que um casal que se ama briga muito. O uso erótico das brigas é conhecido: a paz se faz na cama. Menos conhecido é o uso amoroso das brigas: chegar ao limite da ruptura pode ser um jeito de recomeçar, de voltar ao momento inicial da paixão, quando ambos esperavam que o amor os transformasse. Problema: ninguém sabe qual é o ponto de equilíbrio além do qual as brigas não garantem renovação nenhuma, apenas desgastam um amor que se perde.

4) Alguém se apaixona por outra pessoa porque, ele se queixa, sua parceira precisa dele. É aquela coisa: seu amor me exige demais, você me sufoca, me prende. Isso, é claro, é um jeito de dizer: com você sou sempre o mesmo. Também é uma projeção: separo-me porque não agüento minha própria dependência de você. Visto que me detesto por estar a fim de lhe pedir amor a cada minuto, acho intolerável que você me peça. Quem pensa e age assim, em geral, fica sozinho no fim.

5) Um homem volta para o lar depois de ter estado nos braços de outra. Sua mulher pergunta: você me ama ainda? Ela tem razão, é a única pergunta que importa. Uma mulher volta para o lar depois de ter estado nos braços de outro. Seu homem pergunta: você esteve com ele? Insiste: quero a verdade. Pede os detalhes: gostou? Gozou? Onde aconteceu, em que posição, quantas vezes? O ciúme feminino é uma exigência amorosa. O ciúme do homem é uma competição com o outro, um duelo de espadas, uma esgrima homossexual que tem pouco a ver com o amor pela amada e muito a ver com as excitantes lutinhas masculinas da infância.

Enfim, quem sabe o filme nos ajude a inventar jeitos de amar menos desafortunados e mais interessantes."

(Contarto Calligaris)



¤ Postado por Isadora Machado às 21h43
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Sair invariavelmente mais seguro que ficar por aqui. O noir sempre melhor que a luz no fim do túnel. O não-estar infinitamente mais prazeroso que o ser. Enfim, assim.

Tantos idiotas procurando a luz no fim do túnel. Isso é pra os perdedores. E, como toda boa Tereza, odeio perdedores. Vocês conhecem alguma Tereza que goste de perdedores? Não? Por isso me chamo Tereza. Os perdedores, que vivem procurando a luz ao fim do túnel, não são como eu, que tenho uma visão altamente capacitada para a escuridão. Esses esboços mal acabados que a falta de luz me permite ver não são visíveis aos olhos acostumados a luz. Só a luz cega. Só a luz desmente. Só a luz corrobora. A visão engana.

O que os tolos não sabem é que a luz ao fim do túnel pode ser insuportável.



¤ Postado por Isadora Machado às 21h40
¤
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É a morte. Somos sempre mais vivos quando morremos. E sempre mais mortos quando vivemos. O problema é que nunca sabemos dosar as duas formas: ou estamos muito vivos e esqueçamos da morte; ou já estamos mortos, e nem sabemos o que é a vida.

Os homens só sabem o que é viver mesmo quando ganham um filho; as mulheres, quando o perdem.



¤ Postado por Isadora Machado às 21h40
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CASO DE PESCADOR

"QUEM AMBICIONA ALGO MAIS TERÁ UM DIA DE SOFRER A VERTIGEM. O QUE É A VERTIGEM? MEDO DE CAIR? NÃO, VERTIGEM É ALGO MAIS QUE MEDO DE CAIR. É A VOZ DO ABISMO QUE NOS TENTA, É O DESEJO DA QUEDA, CONTRA A QUAL, ATERRORIZADOS, NOS DEFENDEMOS." - MILAN KUNDERA

Se houvesse um fotógrafo em cima do telhado da casa a minha frente, ele teria uma cena que gostaria muito de ver:

 

            Eu estava entre dois panos de prato. Com um Capri, ora entre os dedos, ora entre os lábios. Ora entre cada alvéolo. A foto se chamaria: “Ave Maria também vive de pequenas alegrias”.

 

Dois peixes conversavam amistosamente, cada um sentado em sua respectiva ostra. Ventava no Oceano Índico.

 

- Mas você concorda mesmo com a calúnia de ‘memória de peixe’?

- Não é uma questão de concordar. Os humanos também são peixes. Mas em câmera lenta.

- E isso é melhor ou pior?

- O que dizem na sua casa?

- Todos esquecem de falar de memória na minha casa.

- Nunca conversaram sobre isso?

- Não é questão de sim ou não. Apenas nunca lembramos.

- Mas não lembrar é diferente de esquecer.

 

Borbolhas interrogativas.

 

- Lembrar pressupõe um esquecimento inicial, mas pressupõe também saber do que não se lembra. Você não lembrava e, de repente, aquilo volta à memória. Esquecer é o apagamento por completo.

 

Borbolhas pensativas.

 

- E por isso é que para os humanos é pior. Memória humana é pior. Primeiro você lembra sempre. Depois, esquece. Mas esquece primeiro o cheiro da pessoa. O cheiro nunca mais é sentido no cérebro. Depois, eles esquecem como era tocar o cabelo da outra pessoa. Então eles esquecem do comprimento dos cílios, e do formato do dedão do pé e dos outros dedos. Em seguida, esquecem da voz. Esquecendo a voz, não sabem mais como funcionava a língua humana, no sentido mecânico. Depois esquecem a língua no sentido-palavra. Não conseguem mais sentir a sensação das palavras ditas pelo outro. Por fim, esquecem de como a outra pessoa olhava. Assim que esquecem os olhares e os olhos, esquecem de tudo. E está tudo acabado. Nunca mais se lembram.

 

- E por acaso os humanos reparam formato de dedos ou tamanho dos cílios?

 

- Aí é que está a parte mais doida da história deles. Eles só guardam essas lembranças de pessoas que amam. Assim, o esquecer pior é quando se está esquecendo de quem se amou.

 

- Acho que prefiro ser peixe.

 



¤ Postado por Isadora Machado às 11h06
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Por entre a fumaça e o vinho
Por dentre os sons sem quilíbrio d'alta-noite
Ébrios
Deuses
Sonhos
Todos
Mundos
Corpos
Copos de leite
Doce deleite
Sonhar...

Ébrios ares
acres,doces
hálitos
fosse o vinho filante...

Deuses deram
o toque feiticeiro
e o tato inteiro tinha o cheiro
deleitoso do delírio.
Como lírios, papoulas
pelos
poros
florescia o louro dourado dos sonhos.
Caminhavam na escuridão
tornando sonho o que era chão!

Era arredia a onírica terra:
como a hera,
espalhou-se o espaço
debaixo dos seus pés...

Do espectral teatro
encenou -se o ato de despertar.
Tão perto o peito arfante,
Repleto antes de cor que de ar,
quedou-se do medo
vaporosamente em minha digital,
No curto silêncio dos meus dedos.

Ao som do susto
tateei com custo
meu próprio rosto,
meu próprio corpo.
E fui encontrá-los
nos olhos que me fitavam
Faziam fita, faziam cena,
fariam até cinem se soubessem cantar
os meus sentidos.

Perdido pelo alheio devaneio,
Num enleio entrelaçado
dum permeio de loucura e fado,
de mãos dadas com as fadas da Beleza
Rompi a tísica vida,
Metafísica ferida,
pelas tuas unhas
quebrei a incerteza de estar sano;
Do meu crânio trouxe os negros panos,
trouxe os pratos,
pra vestir e mastigar
o alimento e o sustento.
Tirou o pó,
pôs retrato,
E fez de fato
Meu sopitado lar
a quimera além-matéria
de poder-te etérea, eternamente
te tocar.

Escrito por Carlos Batata, em um momento em que minhas mãos ficaram sem ar.



¤ Postado por Isadora Machado às 10h55
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E era assim. Eu sempre juro. Vontade. Vontade angústia. Vontade e angústia e mais vontade não realizada. E era assim. E era também de outro jeito. E era falta de verdade não confiar. Fogo. Terra. E o coração. Na batida. Na cadência. Sem samba. Foi bossa, foi riso, sem pranto. A plantação de rosas e seus espinhos. A velha metáfora batida de caminhão. Flores e seus espinhos. Não. Não aceito. Aceitar é, nessas horas, quase morrer. Sem cometer suicídio. Eu não aceito.

Eu sempre morro mesmo. Mas agora eu te amo com profundeza de peixe sem olho. E é sempre maior que o medo. Medo. Medo. Medo. Antes o medo do capeta. Não. Não é sempre assim. Nas últimas mentes eu tenho estado tranqüila. Tranqüila, ouviram? Eu sou sim. Eu posso até não ser, mas o estado constante me torna. Medo de não ser a mesma confusão que me faz ser a mim. Problemas de regência não em incomodam tanto. Eu odeio reticências. A loucura é fruto de um desejo anunciado. E eu não peço perdão.

Eu amo. Amo. Amo. E desejo. E quero, quero e quero. Mas continuo desejando que até fim-dos-dias, continue desejando. E ele sabe como eu amo.

 

Ah! Sempre esse maldito conto. Não consigo esquecê-lo.



¤ Postado por Isadora Machado às 17h30
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(...)

Não sei se a vida é pouco ou demais pra mim.

Não sei se sinto demais ou de menos.

Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos,

a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,

a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão,

de sair para fora de todas as casas,

de todas as lógicas, de todas as sacadas

e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos.

 

Álvaro de Campos via Fernando Pessoa

 

 

- A senhora já teve filhos?

- Sim, frutos do Desejo.

- Mas estes não contam, não te protegem da mágoa.

- É, eu sei. Pedi várias vezes um filho para o coração não ressecar, só que ninguém dividiu comigo.

- Então, câncer de útero. Preciso de mais exames para estabelecer a causa. Há uma mancha escura na ultra-sonografia. Pode ser um tumor benigno, como pode ser apenas amor-empedrado. De qualquer forma, tudo indica câncer, uma das formas de o amor empedrar.

 

Exames. Vários. Outros. Mais. Sempre se cansa das descrições. Lógico.

 

- Não, o diagnóstico foi equivocado. Ao que parece, a senhorita estava grávida e o bebê apodreceu. Algo praticamente simples, desnecessariamente preocupante. Uma intervenção cirúrgica de alguns trinta minutos e a senhora terá os restos do elemento dentro de um vidrinho. Embalado para levar.

- Mas, Senhor, há certeza no que se diz?

 

Trecho do meu conto intitulado "Pedra, flor, espinho"



¤ Postado por Isadora Machado às 17h00
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Mas

"... eu devia deixar de ser trouxa e aprender de uma vez por todas a não confiar nas pessoas. Pelo menos em determinadas pessoas. Mas, não, sempre vou manter um fiapo de esperança na boa índole de gente próxima - só para constatar, mais uma vez (e outra, e outra, e outra...), que a única saída para o gênero humano é a explosão deste planeta miserável e os viventes que o infestam. Incluindo este que vos escreve - que é para eu deixar definitivamente de ser besta.

Vale dizer que eu só cumprimento gente que eu minimamente respeite. No entanto, há quem ainda insista..."

Meu querido amigo de blog, Ricardo Miyake

Faço das palavras dele, as minhas.



¤ Postado por Isadora Machado às 13h33
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Eu olho. O olho me olha. Eu não vejo.  Olho. Olho. Olho. Até agora você não sabe se é verbo, se é berro, se é olho. Não? Não. Eu não. Eu olho. Eu não olho. Eu não aguento os olhos olhando para os olhos dos outros que pensam que são olhos. Olhar permanentemente o corpo...de um poema. Já diria ela. Eu n/ao quero filete de sangue nas gengivas. Eu quero olho sem sangue. Eu não aguento mais olho com sangue. Pra que serve sangue no olho, alguém explica? Ninguém. Ninguém. Ninguém. Toda fascinação vem do olho. Eu olho as fascinações, elas me olho]am. Um pra frente. Meio. Um pra trás. Adoro esse ritmo. Enquanto isso, olho no espelho o filete de sangue nos olhos. Dentro deles, entendam bem. Enterrei meu olho dwentro de mim. Odeio janelas. Odeio janelas - isso foi um grito bem alto. Porque a boca abafa o grito? Não sei. Não sei. Não sei. Eu odeio os olhos. Eles consentem o abafar do grito.



¤ Postado por Isadora Machado às 16h35
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O toque daquele que tem toc não faz barulho. É silencioso. Não é delicado o suficiente para excitar as moléculas fora do vácuo. E é triste. Porque enjoa quem é tocado. Toca. Toca. Toca. É repetitivo. Inconsciente. Amargo. É melancólico, E nostálgico - mas sincero.


¤ Postado por Isadora Machado às 16h17
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