Particípio
Outrora, eu já fui devassa.
E se hoje fui novamente, não se engane!
É tudo cova dessa mente:
inquieta, muda, morta.
Não quisesse outra esfera
A carne ainda geme
E os ossos já não pensam em cálcio.
Que farei de tudo isso?
Vício.
Que farei deste epigrama?
Arma.
Que farei de vício e de arma?
Nada.
Ou ainda se pensa que o simples não mente; e que é por acaso que pigarro rima com cigarro?
Particípio II
E se, alguma dia, minha vida inventar de ser uma rima?
Não quero. Mas posso.
A bola careca contou que rima é prisão.
[Será tão ilógico amor e dor?]
Não rio. Omito.
O mito da escrita tão livre que nem sentimento existe.
O mito. O medo. O caso.
Caio. E não levanto: prisão é não escrever com medo da pena.
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Postado por
Isadora Machado às 10h54
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